segunda-feira, 26 de abril de 2010

Ode ao Caminhão de Lixo

xxxxEis que surge, na podridão
xxxxda cidade.
xxxxUm caminhão
xxxxfedendo nobremente.

xxxxSe contorce entre ruas
xxxxdeixando soldados com meias até os joelhos:
xxxxcorrem e voltam,
xxxxtrazendo em sacolas
xxxxo que restou dos homens.

xxxxEscondida sob falsos
xxxxaromas,
xxxxa sociedade curva-se
xxxxdiante da verdade.
xxxxEle assume seu cheiro
xxxxorgulhosamente
xxxxe

xxxxalém,
xxxxse encarrega
xxxxde consumir o desprezado, e n s a c a d o .
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxNo fim do dia, os soldados voltam para suas casas, cansados, suados, fedendo a realidade em cada centímetro do corpo.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxJá o caminhão, se estaciona, satisfeito e seguro, é o padre do asfalto, livrando todas as famílias do pecado da elegância: o fedor.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Colisão

xxxxxCânceres se espalham e se escondem em famílias
xxxxxenquanto jovens
xxxxxbrincam
xxxxxde
xxxxxviver
xxxxxuma
xxxxxmentira
xxxxxnos jardins da cidade.
xxxxxxxxxNo caos organizado diário,
xxxxxxxxxxxxxxxencontra-se uma pausa nos fins-de-semana.

xxxxxFutebol e Bossa Nova.
xxxxxTelevisão e Entretenimento.
xxxxxAmor e Vida.

xxxxxE assim segue a vida.
xxxxxOs poetas foram banalizados.
xxxxxOs revolucionários são satirizados em peças de teatro.
xxxxxA mídia produz ídolos, embala-os em roupas coloridas e os
entrega em domicílio.

xxxxxxxxxxE assim retrocede a vida.

xxxxxxxA arte se entrega ao capitalismo.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxA
literatura é chicoteada em praça pública.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxE nós nos escondemos debaixo da pilha de
folhas secas varridas pelos novos vizinhos.